Sem-terra é assassinado e jagunço diz que Bolsonaro autorizou matar “bandidos”

6 jan

“FARINHA DO MESMO SACO”, VOCÊS

https://gustavohorta.wordpress.com/2018/06/13/farinha-do-mesmo-saco-voces/

Pois bem. Vocês deram o golpe derrubando um governo legítimo, eleito democraticamente pela maioria da população, a pretexto de punir crimes cometidos pela então Presidente da República.

Daí vocês continuaram a apoiar à caçada nacional contra os membros do Partido dos Trabalhadores. Mais uma vez, da mesma forma em que deram um golpe de estado, vocês trataram de apoiar sua caçada como sendo uma atitude cidadã contra gente corrupta e desonesta.

Por outro lado, como todos já sabíamos, vocês, com seu golpe, acabaram por levar ao poder uma quadrilha, esta sim, efetivamente corrupta… …

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Luíz Müller Blog

Começou. Oito trabalhadores rurais ligados à Associação Gleba União foram atacados por capangas da Fazenda Agropecuária Bauru hoje em Colniza, a 1065 km de Cuiabá. A fazenda pertence ao ex-deputado José Riva e ao ex-governador Silval Barbosa. Um dos agricultores está morto e vários estão feridos gravemente. A Comissão Pastoral da terra conta que o grupo estava indo buscar água no Rio Traira para levar ao acampamento, onde estão desde outubro do ano passado. Parece insano, cruel, tenebroso, e é. Os atiradores dizem que houve “troca” de tiros. Dá pra acreditar em troca, quando só um lado morre? A segurança da fazenda é feita pela empresa Unifort Segurança Patrimonial.

O acampamento, com cerca de 200 famílias, foi criado para exigir que José Riva apresente documento comprovando a posse de 46 mil alqueires da terra que ele afirma ser proprietário. A área do conflito, conhecida como Fazenda Magali, se encontra em…

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SE EU FOSSE VOCÊ EU LERIA…. MAS COMO NÃO SOU, DECIDA-SE A LER OU NÃO. É GRANDE, LOGO NÃO É PARA NÃO-LEITORES. Por Eugênio Aragão – Ex-min. da Justiça

5 jan

SE EU FOSSE VOCÊ EU LERIA…. MAS COMO NÃO SOU, DECIDA-SE A LER OU NÃO. É GRANDE, LOGO NÃO É PARA NÃO-LEITORES.

Por Eugênio Aragão

O governo do capitão da reserva Jair Bolsonaro parece ser, aos olhos de nós, pobres mortais, de uma improvisação catastrófica. Digo que “parece ser”, porque é compreensível, dentro de minhas limitações, que um sujeito que conseguiu chegar lá por meio de sofisticadíssimo estratagema de impulsionamento global de mensagens mentirosas, com capacidade de iludir massas, esteja construindo um governo tão barbaramente desqualificado, sem que haja propósito nisso!

Posso estar vendo chifre em cabeça de cavalo. Sempre é bom ficar com um pé atrás, diante da arte do ilusionismo que tomou conta da política brasileira. Nem tudo é o que parece ser. Começo a duvidar até de meus olhos. Apenas as lembranças históricas não costumam falhar…

Hitler e sua malta de odientos fascistas alucinados, ao assaltarem a Polônia em 1939, se propuseram a eliminar uma nação do mapa, começando por dizimar sua inteligência – professores, intelectuais, artistas, escritores, pesquisadores e técnicos qualificados. O que sobrasse dos polacos – “subumanos eslavos”, segundo a novilíngua nazista – deveria se tornar, para o resto dos tempos, um povo submisso de lacaios a serviço da “Herrenrasse” ariana.

O “empreendimento Tannenberg”, como se chamava a operação, foi meticulosamente preparada pelo Amt II da SD (serviço de inteligência da SS), com produção de listas de nomes das pessoas a serem detidas e assassinadas. Restaria, ao final, pelo desejo dos invasores, apenas uma sociedade de terra arrasada, incapaz de se opor a sua germanização.

Os tempos são outros, mas os canalhas se adaptam. Invadir o Brasil para dizimar sua inteligência seria algo anacrônico. Hoje se usa o “softpower” para destruir e submeter. Chamam-no de “guerra híbrida”. Desviam-se as potencialidades e se aproveitam as debilidades estruturais e funcionais de uma sociedade doméstica, faz-se uso de doutrinação subliminar. As redes sociais com sua veiculação impulsiva de bronca se prestam muito bem a isso.

Não é difícil verificar que o beócio do capitão da reserva que ganhou a corrida presidencial não está sozinho no seu projeto, que só é “seu” na sua fantasia e na fantasia de seus filhos oligofrênicos, bem como daquelas pobres criaturas ainda inebriadas com a miragem do “mito”. Quem, no entanto, comanda a operação arrasa-Brasil não mora aqui. Está tão distante quanto os servidores que disseminaram “en masse” mensagens mentirosas na campanha presidencial.

Ocupar os cargos do governo com gente incapaz, vaidosa e despreparada parece ser parte da estratégia de dominação. Trata-se de forma “soft” de matar a “intelligentsia” no aparato estatal. Tacham-se os melhores quadros de “marxistas” e sobram os ingênuos, “useful idiots”, para levar a máquina pública a seu descalabro. Depois, vêm os salvadores do FMI, do Banco Mundial e do Federal Reserve, para cuidar da massa falida, para transformar o Brasil no “Generalgouvernement” americano.

De bobo não tem nada, quem está por detrás desse plano. Bobos somos nós que só olhamos para as aparências, achando que o capitão da reserva manda alguma coisa. Bobos são os que acham que foi a “corrupissaum dos petralhas” a causa dessa indignidade porque nossa nação vai fatalmente passar. Mas o buraco é mais embaixo, como diz a sabedoria popular.

Tome-se como exemplo a escolha do futuro chanceler do Brasil. Um idiota de carteirinha. Um zero à esquerda que conseguiu ser promovido este ano a ministro de primeira classe por um governo à deriva, certamente à base de muito beija-mão, como sói ser na casa de Rio Branco. Beijou mãos podres e golpistas. Produziu um blog de terceira categoria para puxar o saco do capitão e de seus filhos-diádocos, ousando o que nenhum diplomata de raiz ousaria. Depois, fez publicar um texto cheio de asneiras sobre a salvação da “civilização ocidental” por Donald Trump – um texto que faria corar até o mais inestudado aluno de relações internacionais.

Mas a escolha tem sua razão de ser. O aparente besteirol do diplomata lunático tem sistema, como o tiveram mensagens sobre a URSAL ou sobre a suposta defesa da pedofilia pelo candidato adversário do capitão da reserva, serve sobretudo para confundir e transformar a comunicação numa sopinha de letras, longe de qualquer consenso sobre significantes e significados. É com essa guerra semiótica que se desestruturam diálogos essenciais numa sociedade.

O Brasil está alvo de um forte ataque e só não vê quem não quer. Aprofundou-se a fragmentação política de modo a impedir a adoção de qualquer agenda. As eleições, ao invés de estancar a polarização paralisante de pós-2013, a radicalizaram. Não há conversa possível com quem sugere que a embaixada da Alemanha peca por ignorância quando explica que o nazismo foi uma prática da direita política. O discurso da turba ficou tão absurdo que se reduz a um latido. E a latidos se responde com latidos. Uau-uau!

A quem interessa essa destruição do país? A importância estratégica do Brasil pode oferecer muitas respostas, mas o certo é que só não interessa às brasileiras e aos brasileiros. De uma pujante potência periférica vamos nos transformar num parque de diversões das nações centrais. Vão rir muito de nós enquanto surrupiam nossos ativos. E são, para variar, os mais pobres – os “subumanos cucarachos”, na novilíngua trumpista – que pagarão a conta, com extinção das políticas públicas, com o fim de direitos econômicos e sociais e com a degradação dos serviços públicos mais básicos, pois, quem tem dinheiro, se juntará à gargalhada da plateia gringa em Miami, com Bolsonaro, o Bozo, a se apresentar como protagonista do quadro de humor desse triste circo brasileiro.

Eugênio Aragão é ex-ministro da Justiça

 

 

NEM VOU TÃO LONGE, AVE MARXISMO

3 jan
Fernando Pina

CARTA ABERTA à sua incelença quasi-PRESIDENTE BOSTOnaro:

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INCELENÇA BOSTO nhonhô disse hoje (em 31/12/18) no tweeter que é preciso varrer o LIXO MARXISTA instalado nas universidades, para que o Brasil suba no ranking do conhecimento, consiga formar cidadãos e não militantes políticos. A respeito. exponho aqui breves considerações:

1- INCELENÇA BOSTO, pare de publicar textos apócrifos nas mídias, pare de escrever de forma rasteira, pornográfica; pare de se valer das mentes tortas e descerebradas dos olavos de carvalho e dos ernesto araújo da vida; ISSO É FEIO!

2- INCELENÇA BOSTO, embora saibamos todos nós que vossa incelença é apenas o “boneco diante das câmeras, um marionete, faço-lhe um apelo: tente minimamente refletir antes de escrever merda e a partir disso veja se consegue redigir um texto, inteligível; É O MÍNIMO QUE SE ESPERA!

3-INCELENÇA BOSTO, Marxismo não é lixo, é um modelo teórico de organização político-social fundamentado em pesquisas científicas e foi graças a sua experiência concreta (Marxismo-Leninismo) que o Capitalismo reviu toda sua estrutura de funcionamento e corrigiu muitos dos seus absurdamente criminosos erros praticados até o final do século XIX; SEI QUE NHONHÔ NÃO ENTENDEU NADA!

4- INCELENÇA BOSTO, não pense que vai governar a nação apenas com frases de efeito, com provocações e midiotices nas redes sociais; governar uma nação com mais de 200 milhões de almas (ainda que 57 milhões delas o sejam pútridas) requer muito mais que usar de joguinhos de gato e rato, de esconde-esconde, de ameaças grotescas de aniquilamento social, etc; A CRASSE MERDA VAI CANSAR!

5- INCELENÇA BOSTO, governar uma nação no modelo republicano é PRESIDI-LA (ação decorrente do cargo que amanhã vossa incelença certamente assumirá). É PRECISO CULHÃO PRA ENCARAR A MARATONA!

6- INCELENÇA BOSTO, a partir de amanhã, logo após o lauto banquete de posse, vossa incelença deixa de ser PEDRA e passará a ser VIDRAÇA!

5- INCELENÇA BOSTO: o Marxismo-Leninismo está enraizado no âmago social da AMÉRICA BOLIVARIANA e a ação da Esquerda que o pratica é muito mais forte, sólida e consequente, do que sonham vossa incelença, estuprador barato, e seus filhotes bostonauros, enquanto dormem em berço esplêndido chupando seus próprios “pintos.” ENTENDEU, ou precisa de tradutor?

VIVA O SOCIALISMO! AVE, MARXISMO-LENINISMO!

A farsa continua: Queiroz deu “entrevista” em um esconderijo e depois sumiu novamente

28 dez

Republicando: BRASIL, UM PAÍS DO PASSADO – Philipp Lichterbeck

https://gustavohorta.wordpress.com/2018/12/28/republicando-brasil-um-pais-do-passado-philipp-lichterbeck/

“No Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição, alimentado pela falsa noção de que a democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento.”
DW – Deutsche Welle
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O motorista não apareceu, apenas se pronunciou de algum esconderijo e não deu nenhuma explicação “bastante plausível”.

Jeferson Miola em 27/12/2018

Ele apenas saiu momentaneamente de algum esconderijo onde está sendo guardado a sete chaves para conceder uma entrevista arranjada, sob medida, para a emissora SBT que, tudo indica, habilita-se a forte candidata a voz oficial do regime nazibolsonarista [ver aqui].

É descabido, tecnicamente falando, chamar de entrevista a performance ensaiada do Queiroz no SBT com exclusividade, sem submeter-se ao escrutínio de toda a imprensa.

Mais grave do que a ofensa ao conjunto da imprensa, todavia, é que a atitude do Queiroz representaria um insulto à Lava-Jato, ao MP, à PF e ao judiciário, de quem fugiu de depor em duas ocasiões. Neste particular, aliás, Queiroz parece-se com seu chefe Jair, que na eleição fugiu dos debates com Haddad como ele, Queiroz, foge da justiça e da polícia.

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Republicando: BRASIL, UM PAÍS DO PASSADO – Philipp Lichterbeck

28 dez

Que triste… anoiteceu no Brasil, eu vi a noite chegando; se quiser entender…

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BRASIL, UM PAÍS DO PASSADO

🇩🇪 Publicado na rede alemã Deutsche Welle

Íntegra:

“No Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição, alimentado pela falsa noção de que a democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento.”

DW – Deutsche Welle https://www.dw.com/pt-br/brasil-um-pa%C3%ADs-do-passado/a-46477566

No Brasil, está na moda um anti-intelectualismo que lembra a Inquisição. Seus representantes preferem Silas Malafaia a Immanuel Kant. Os ataques miram o próprio esclarecimento, escreve o colunista Philipp Lichterbeck.

É sabido que viajar educa o indivíduo, fazendo com que alguém contemple algo de perspectivas diferentes. Quem deixa o Brasil nos dias de hoje deve se preocupar. O país está caminhando rumo ao passado.

No Brasil, pode ser que isso seja algo menos perceptível, porque as pessoas estão expostas ao moinho cotidiano de informações. Mas, de fora, estas formam um mosaico assustador. Atualmente, estou em viagem pelo Caribe – e o Brasil que se vê a partir daqui é de dar medo.

Na história, já houve momentos frequentes de regresso. Jared Diamond os descreve bem em seu livro Colapso: Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Motivos que contribuem para o fracasso são, entre outros, destruição do meio ambiente, negação de fatos, fanatismo religioso.

Assim como nos tempos da Inquisição, quando o conhecimento em si já era suficiente para tornar alguém suspeito de blasfêmia.

No Brasil atual, não se grita “herege!”, mas “comunismo!”. É a acusação com a qual se demoniza a ciência e o progresso social.
A emancipação de minorias e grupos menos favorecidos: comunismo!
A liberdade artística: comunismo!
Direitos humanos: comunismo!
Justiça social: comunismo!
Educação sexual: comunismo!
O pensamento crítico em si: comunismo!

Tudo isso são conquistas que não são questionadas em sociedades progressistas. O Brasil de hoje não as quer mais.

Porém, a própria acusação de comunismo é um anacronismo. Como se hoje houvesse um forte movimento comunista no Brasil. Mas não se trata disso. O povo brasileiro não deve mais questionar, ele precisa obedecer: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.

Está na moda um anti-intelectualismo horrendo, “alimentado pela falsa noção de que a democracia significa que a minha ignorância é tão boa quanto o seu conhecimento”, segundo dizia o escritor Isaac Asimov.
Ouvi uma anedota de um pai brasileiro que tirou o filho da escola porque não queria que ele aprendesse sobre o cubismo. O pai alegou que o filho não precisa saber nada sobre Cuba, que isso era doutrinação marxista. Não sei se a historia é verdade. O pior é que bem que poderia ser.

A essência da ciência é o discernimento. Mas os novos inquisidores amam vídeos com títulos como “Feliciano destrói argumentos e bancada LGBT”.
Destruir, acabar, detonar, desmoralizar – são seus conceitos fundamentais. E, para que ninguém se engane, o ataque vale para o próprio esclarecimento.

Os inquisidores não querem mais Immanuel Kant, querem Silas Malafaia. Não querem mais Paulo Freire, querem Alexandre Frota. Não querem mais Jean-Jacques Rousseau, querem Olavo de Carvalho. Não querem Chico Mendes, querem a “musa do veneno” (imagino que seja para ingerir ainda mais agrotóxicos).

Dá para imaginar para onde vai uma sociedade que tem esse tipo de fanático como exemplo: para o nada.
Os sinais de alerta estão acesos em toda parte.

O desmatamento da Floresta Amazônica teve neste ano o seu maior aumento em uma década: 8 mil quilômetros quadrados foram destruídos entre 2017 e 2018.
Mas consórcios de mineradoras e o agronegócio pressionam por uma maior abertura da floresta.

Jair Bolsonaro quer realizar seus desejos. O próximo presidente não acredita que a seca crescente no Sudeste do Brasil poderia ter algo a ver com a ausência de formação de nuvens sobre as áreas desmatadas.
E ele não acredita nas mudanças climáticas. Para ele, ambientalistas são subversivos.

Existe um consenso entre os cientistas conhecedores do assunto no mundo inteiro: dizem que a Terra está se aquecendo drasticamente por causa das emissões de dióxido de carbono do ser humano e que isso terá consequências catastróficas.
Mas Bolsonaro, igual a Trump, prefere não ouvi-los. Prefere ignorar o problema.

Para o próximo ministro brasileiro do Exterior, Ernesto Araújo, o aquecimento global é até um complô marxista internacional. Ele age como se tivesse alguma noção de pesquisas sobre o clima. É exatamente esse o problema: a ignorância no Brasil de hoje conta mais do que o conhecimento. O Brasil prefere acreditar num diplomata de terceira categoria do que no Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, que estuda seriamente o tema há trinta anos.

Araújo, aliás, também diz que o sexo entre heterossexuais ou comer carne vermelha são comportamentos que estão sendo “criminalizados”. Ele fala sério.
Ao mesmo tempo, o Tinder bomba no Brasil. E, segundo o IBGE, há 220 milhões de cabeças de gado nos pastos do país. Mas não importa. O extremista Araújo não se interessa por fatos, mas pela disseminação de crenças.
Para Jared Diamond, isso é um comportamento caraterístico de sociedades que fracassam.

Obviamente, está claríssimo que a restrição do pensamento começa na escola. Por isso, os novos inquisidores se concentram especialmente nela. A “Escola Sem Partido” tenta fazer exatamente isso. Leandro Karnal, uma das cabeças mais inteligentes do Brasil, com razão descreve a ideia como “asneira sem tamanho”.

A Escola Sem Partido foi idealizada por pessoas sem noção de pedagogia, formação e educação. Eles querem reprimir o conhecimento e a discussão.

Karl Marx é ensinado em qualquer faculdade de economia séria do mundo, porque ele foi um dos primeiros a descrever o funcionamento do capitalismo. E o fez de uma forma genial. Mas os novos inquisidores do Brasil não querem Marx. Acham que o contato com a obra dele transformaria qualquer estudante em marxista convicto. Acreditam que o próprio saber é nocivo – igual aos inquisidores.

E, como bons inquisidores, exortam à denúncia de mestres e professores.

A obra 1984, de George Orwell, está se tornando realidade no Brasil em 2018.

É possível estender longamente a lista com exemplos do regresso do país: a influência cada vez maior das igrejas evangélicas, que fazem negócios com a credulidade e a esperança de pessoas pobres. A demonização das artes (exposições nunca abrem por medo dos extremistas, e artistas como Wagner Schwartz são ameaçados de morte por uma performance que foi um sucesso na Europa). Há uma negação paranóica de modelos alternativos de família. Existe a tentativa de reescrever a história e transformar torturadores em heróis. Há a tentativa de introduzir o criacionismo. Tomás de Torquemada em vez de Charles Darwin.

E, como se fosse uma sátira, no Brasil de 2018 há a homenagem a um pseudocientista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, que defende a teoria de que a Terra seria plana, ou “convexa”, e não redonda. A moção de congratulação concedida ao pesquisador foi proposta pelo presidente da AL e aprovada por unanimidade pelos parlamentares.

Brasil, um país do passado.

* Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para os jornais Tagesspiegel (Berlim), Wochenzeitung (Zurique) e Wiener Zeitung. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

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EU VI A NOITE CHEGANDO, SEM ALVORADA

https://gustavohorta.wordpress.com/2018/12/24/eu-vi-a-noite-chegando-sem-alvorada/

Eu vi a noite chegando, nenhuma luz.
Naquela janela estava debruçada uma esperança.
Ninguém sabe nada que eu digo, minha flor que nunca respirou, ninguém sabe nada e eu sigo, com a dor do sonho que sonhou.
O sonho sonhado acabou, e eu vi a noite chegando. Nenhuma luz.
As gentes acreditando que algo melhor pode vir com o amanhecer, com a aurora. Mas eu vi a noite chegando sem qualquer luz e não vejo um amanhecer tão cedo.
Pode ser uma noite longa, tão longa quanto já fora. Noite escura, permissiva. Noite escura, gente imune, gente impune.

Os mesmos com as mesmas balas, de hortelã. Uso exclusivo, que nada. Uso exclusivo, certamente. Sempre chupadas pelos pretos. Sempre chupadas pelos pobres. Sempre chupadas pelas putas. Sempre chupadas pelo povo, nação.

A noite chegando eu vi, são tantas dores.
Eu vi a noite chegando, são poucas cores.
Eu vi a noite chegando, sofrimentos indolores.
A noite chegando eu vi, nenhuma luz.

Mito medo, meto medo, muito medo, medo do demo, demo à solta, medo da morte, temor… a noite chegando escura e aterrorizante pela escuridão duradoura sem fim.

Eu vi a noite chegando, outras noites eu vi, outra noite vivi.
A noite descabelada, desarrumada. Noite mal arrumada, enjambrada.A noite chegando eu vi, no esculacho, no escracho, esculhambado. A noite chegando eu vi, eu vi a noite chegando.
Na janela debruçada a esperança. Adormecida. Terminal. Quase um ponto final.

Eu vi muito seco chegando, lágrimas não há mais, já há demais, mais por vir, muitas lágrimas, inúteis, inócuas, etéreas. Lágrimas secas no armazém de secos&molhados olhando o anoitecer sem nova alvorada a surgir.

Eu vi a noite chegando, eu vi a ira. A lira da maldade entoando sua melodia macabra na noite.

Eu vi a noite chegando. Nenhuma luz.

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COMO PUDE ESTAR TÃO ERRADO?

28 dez

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Hoje percebo que devia ir mais devagar. Ou devesse ter ido mais devagar. Ir muito rapidamente na direção errada somente garante se chegar muito depressa, ou mais depressa, ao lugar  errado .

Olhando a vida em retrospectiva entendo melhor o quanto massa de manobra eu fui. Hoje percebo que eu devia ir mais devagar. Ou devia ter ido mais devagar, queimando menos energia, poupando combustível.

A pena é que hoje já é tarde. Para mim já é tarde. Como pude demorar tanto assim para entender? Como pude ser tão tolo, tão ingênuo, beirando a idiotice da estupidez ignorante manipulada?
A quantos e quantas eu repassei minhas crenças, valores e convicções, percebendo hoje que tudo era uma grande farsa, tudo é uma grande mentira engendrada para transformar seres humanos em trabalhadores fiéis e pouco questionadores de sua própria realidade.

Tantos textos de grandes filósofos e pensadores foram usados para nos iludir a todos, quando na verdade uns poucos desfrutaram de tamanho esforço de tantos. Tudo sem sustentabilidade.

Dediquei parte enorme da minha vida formando pessoas no mercado de trabalho e para o mercado de trabalho, sem ter a noção de que na verdade eu as doutrinava para uma vida tacanha de crenças e desejos jamais atingidos. Gente que sonha e que jamais alcançará seus sonhos como produto de seus esforços no trabalho.

Eu fui com força, com velocidade, com toda minha energia, porque eu acreditava que eu estava no caminho certo. E com toda essa força, velocidade, determinação e energia cheguei muito rapidamente a um destino que, definitivamente, não era o que eu esperava ou sonhava, para mim, para os meus e para a sociedade.

Não tenho mais tempo e muito menos disposição para voltar lá no começo da estrada e escolher outra direção. Sobretudo não tenho mais tempo. Se tempo eu tivesse talvez não tivesse também mais disposição.

Cheguei ao destino que planejei, contudo não era como aquilo que eu havia sonhado. O construído não tinha sustentação, esvaiu-se, desmoronou

Hoje, envelhecido e cansado, trato de trilhar outras opções, novas alternativas, entretanto sem ter aquela sede enorme de alcançar um sonho, que mais se aproximou de uma distopia em seu resultado real, após todos os esforços despendidos ao longo de parte significativa de uma vida.

Amor, compaixão, solidariedade.
Felicidade. Sempre.

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A FARSA DO QUEIROZ E O JORNALISMO FARSANTE DO SBT [que em nada difere das outras…] – por Renato Rovai

27 dez

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https://www.brasildefato.com.br/2018/12/27/a-farsa-do-queiroz-e-o-jornalismo-farsante-do-sbt/

Entre os jornalistas, o SBT já vem sendo chamado de Sistema Bolsonaro de Televisão, tamanha a desfaçatez com a qual a emissora de Silvio Santos aderiu ao novo governo.

Entre outras bizarrices, resgatou o programa Semana com o Presidente e o slogan Brasil, Ame-o ou Deixe-o. Ambos, produtos da ditadura militar.

Mas não foi só isso que o SBT fez para se tornar mais amigo do novo rei do que outros grupos de comunicação. Também foi se livrando de jornalistas mais sérios e contratando aqueles que fazem qualquer coisa para “subir na vida”.

A entrevista de ontem com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, foi o encontro desses projetos. O dos interesses do dono do veículo, do governo que vai assumir e de uma profissional que tem feito qualquer coisa para aparecer, mesmo que seja jogar todos os fundamentos básicos do jornalismo no lixo.

Tão bizarras quanto as respostas de Queiroz, foram as perguntas e as não-perguntas da repórter Débora Bergamasco.

A quem interessar possa, a moça foi a autora da capa contra Dilma Rousseff na Isto É em que Dilma é apresentada como tendo surtos de descontrole e quebrando móveis no Planalto. Uma capa absurdamente machista e mais do que isso, feita só com base no “ouvi dizer”.

Bergamasco também foi a autora da capa da delação de Delcídio, que escondia tudo o que havia contra Aécio Neves no depoimento. E que, segundo colegas de redação da IstoÉ com os quais o blogue conversou à época, foi obtido via Aécio, que, inclusive, estava com a revista em mãos numa reunião com líderes do Congresso antes mesmo que ela houvesse chegado às bancas.

Não é incomum este tipo de trajetória de jornalistas que fazem qualquer coisa para ascender profissionalmente. Bergamasco é só mais uma entre tantos.

Ontem a entrevista já começa num jogo de cena sobre a doença do entrevistado. Ele fala que está defecando sangue e a jornalista pede permissão a ele para voltar ao assunto mais tarde. Ah, tá certo, quer dizer que alguém que está fugindo de depoimentos e é acusado de participar de um esquema de corrupção envolvendo o futuro presidente da República te insinua estar com câncer, você pede autorização para tratar do assunto com ele depois? É mais fácil acreditar nas respostas do Queiroz.

A entrevista segue com perguntas dóceis e sem qualquer contestação. O entrevistado diz que comprava carros de segurados para vender e que era bom de negócios. A jornalista não pergunta quantos carros ele comprou e vendeu e se tem esses registros, afinal carros são adquiridos com documentos de compra e venda. E não com pedaços de papel no bar da esquina. Principalmente de seguradoras.

A jornalista pergunta o nome do médico que atendeu o entrevistado quando ficou internado, ele diz se lembrar só do primeiro nome. Ela não insiste em saber mais nada. Nem perguntar quem o apresentou ou quais as referências do tal doutor. Sequer o nome do hospital.

Outra pergunta inocente, que qualquer cidadão que não tivesse feito jornalismo faria, se os 1,2 milhão que circularam na conta dele são de compra e venda de carros, por que eram depositados por assessores da ALERJ e retirados do banco sempre em quantias menores do que 5 mil reais. Às vezes em três agências diferentes no mesmo dia.

E mais básico ainda, por que eram depositados em dias próximos aos pagamentos desses servidores.

Em relação à família do Queiroz, a entrevistadora deixou barato a história d a filha que é personal treinner, mas que trabalhava na “área de mídia” do gabinete, segundo o entrevistado. Nem um “como assim” escapou da boca de Bergamasco.

– Como assim uma pessoa que é formada em educação física é a responsável pela área de mídia do gabinete de um deputado?

Talvez até num descuido essa pergunta escaparia, tamanha a desfaçatez da desculpa.

Evidente que o que se deu ontem com Fabricio Queiroz não foi uma entrevista. Foi um encontro negociado entre o Sistema Bolsonaro de Televisão e o futuro presidente da República para tentar colocar panos quentes no assunto que está queimando a imagem do recém eleito. E Silvio Santos escolheu a nova imagem do jornalismo da casa para fazer o serviço ao estilo que ela fazia na Isto É.

Mas a despeito de tudo isso, a entrevista é reveladora de como a situação de Bolsonaro e sua tropa tende a se complicar se essa investigação avançar. Queiroz é um limítrofe. Uma pessoa que não consegue articular três frases sem cometer erros de português e de raciocínio. Certamente tem outras habilidades ou não ganharia 23 mil por mês e além disso empregaria toda a família em diferentes gabinetes dos Bolsonaros. Mas essas habilidades não resistem a um interrogatório bem feito e a uma apuração dos fatos com documentos.

As desculpas que ele escolheu são tão simplórias que qualquer ida a um cartório local basta para desmontá-las.

O fato é que a cada dia que passa a saga de Bolsonaro fica mais parecida com a de Fernando Collor. Até a camiseta usada por sua esposa Michelle provocando Lula e seus eleitores remetem a isso. Collor era mestre em usar camisetas. Uma que carregava a frase “o tempo é o senhor da razão”, nunca me saiu da memória. O tempo é o senhor da razão e essa suposta entrevista será tratada como o que foi quando a verdade vier à tona. Como uma farsa.

Por Renato Rovai