NÃO SÃO POUCOS

16 jun

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.”
– Maiakóvski

Não são poucos

Não são poucos os gestores dos diferentes poderes executivos, estaduais e municipais, que veiculam em suas propagandas o significativo aumento de empresas em seus estados e em suas cidades. Há um caso em Minas em que o prefeito apresenta números, com aumento de 17% na quantidade de empresas em seu município.

Não são poucos os meios de comunicação que apresentam, orgulhosa e cinicamente, o crescimento do número de empresas no país.
Não são poucos.

Não são poucos a usar dados verdadeiros para encobrir grandes mentiras. O nome disto é sofisma.
Não são poucos. No nosso podre país de pobres instituições, o sofisma é arma definitiva da política igualmente apodrecida.

O sofisma é o argumento, teoria ou raciocínio desenvolvido com o objetivo de manipular, produzindo a ilusão da verdade, idiotizando os incautos. Argumentos e teorias que, mesmo que a partir de verdades, simulam um acordo com as regras da lógica, apresentando, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e propositalmente enganosa, falsa, manipuladora. São argumentações que soam como verdadeiras, mas que cometem, voluntária e deliberadamente, incorreções lógicas e conclusões falsas, enganosas.

Originários da Grécia antiga, os “sofistas negam a existência da verdade, ou pelo menos a possibilidade de acesso a ela. Para os sofistas, o que existe são opiniões: boas e más, melhores e piores, mas jamais falsas e verdadeiras. Na formulação clássica de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”.
Os sofistas foram sábios que atuavam como professores ambulantes de filosofia, ensinando, a um preço estipulado, a arte da política, garantindo o sucesso dos jovens na vida política. Eles ensinavam a arte da retórica.”

Mas dei esta volta apenas para algum entendimento do papel ilusionista enganador vigente na podridão escrita da politicagem no país, igualmente deteriorado, em decomposição fétida dos organismos decadentes.
Não são poucos.

Nao são poucos. Neste caso, não são poucas ou, melhor dizendo, são, na verdade, na maioria, empresas individuais criadas para que as pessoas possam perseguir, nesse regime escravocrata atual [dito e apresentado como neoliberal], a possibilidade da aquisição do ‘pão nosso de cada dia’.

Um país uberizado, aifoodiado, com ciclistas, com os motociclistas, com os patineristas, com pedetristas…., as barbearias, os salões de beleza, manicures e pedicuros…
Todos empresas, todos empresários.
Não são poucos…

E assim caminham os manipulados, iludidos e enganados desse nosso país.
“Assim caminha a humanidade, com seus humanos desumanizados, e não são poucos.

gustavohorta.wordpress.com

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: