PERPLEXIDADE… e é só um pouquinho de nós.

23 jun

Amargura, dor, tristeza, perplexidade, revolta, ira, piedade, compaixão, amor, solidariedade, desilusão, desesperança, desespero, depressão, mágoa, raiva, impotência, ceticismo, perplexidade, perplexidade, perplexidade, perplexidade, perplexidade…

O carinha se ajoelha e midiaticamente simula um choro falso, insignificante. Ainda que sincero, autêntico, insignificante.

O seu choro poderia ter sido no vestiário, no seu canto, assim como o de outros milhões de brasileiros, que choram e ninguém vê. Mas, que importância tem o choro de quem não é craque? E que graça teria se o craque chorasse e ninguém visse? Chora, Brasil! Devemos chorar também, porque o menino pobre que sonhava em ser um craque, foi assassinado de forma cruel. O telão não mostrou, o VAR não pode voltar atrás no lance, mas a sua imagem estava lá! Ensanguentada e jogada ao chão, como alguém que acabara de sofrer uma falta violenta e criminosa, que o juiz fingiu não ver e deixou o jogo seguir. É apenas mais um que cai nos gramados da vida e a bola continua rolando.” – https://www.google.com.br/amp/amp.brasil247.com/pt/colunistas/neggotom/359353/Chora-Neymar!-Chora-Brasil!

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É bem como disse um amigo querido e guru de tantos anos, o que importa perder um jogo na Copa do Mundo, perder a Copa do Mundo, quando já perdemos pré-sal, os direitos trabalhistas, a Farmácia Popular,…, a dignidade como nação, a honestidade e a ética como regra básica de uma sociedade, a sensação de ser um povo, a capacidade de nos reconhecer humanos como uma única espécie.

O que importa?

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Logo ao amanhecer, passeando pela internet, identifico mais um complô do golpe, que destruiu a política, a republica e a jovem democracia no Brasil e implantou uma nova ética sem ética em nossa sociedade. Um Ministro do Supremo, com o Supremo com tudo, após se reunir com alguns caciques golpistas, entre eles o vampiro traidor, decide suspender o julgamento que deliberaria sobre a manutenção ou não da prisão política de um ex-presidente da República do Brasil, condenado em processo repleto de farsas e trapaças. E pronto.

O ministro Luiz Edson Fachin determinou nesta sexta-feira (22) o arquivamento de pedido de liberdade feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual houve pleito alternativo de prisão domiciliar nesta semana. O julgamento estava marcado para a próxima terça (26).” – http://www.plantaobrasil.net/news.asp?nID=100872

Perdemos mais um jogo da Copa.

Ainda passeando pela internet vejo as diversas matérias sobre mais uma morte por bala perdida na Cidade do Rio de Janeiro, desta vez na Favela da Maré, de novo, atingindo um garoto de 14 anos de idade que ia para escola. A mesma Favela da Maré onde assassinaram à  90 dias a Marielle e seu motorista Anderson Gomes. As mortes e os assassinatos se sucedem, “investigações rigorosas” nunca apuram nada, nunca dão em nada, ainda que as balas sejam do mesmo lote de cartuchos 9mm utilizados em assassinatos em São Paulo e atentados contra caravana do Lula no sul do país. Morreu desta vez o garoto Marcos Vinícius, morreu desta vez mais um garoto indo para escola, morreu desta vez mais alguém atingido por bala perdida naquela triste Rio de Janeiro.

Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, foi morto quando ia para a escola nesta quarta (20), no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, durante uma operação da Polícia Civil com o apoio do Exército…. ui- Veja mais em https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2018/06/22/a-morte-de-marcos-vinicius-entra-na-conta-da-intervencao-de-temer-no-rio/?#_=_&cmpid=copiaecola”

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Mais uma morte para totalizar a triste estatística brasileira de 60 mil mortes violentas por assassinato a cada ano.

Perdemos mais um jogo na Copa.

Amargura, dor, tristeza, perplexidade, revolta, ira, piedade, compaixão, amor, solidariedade, desilusão, desesperança, desespero, depressão, mágoa, raiva, impotência, ceticismo, perplexidade, perplexidade, perplexidade, perplexidade, perplexidade…

Toca o telefone e como acontece em todas as manhãs, infalivelmente, é minha doce mulher, há cerca de 40 anos, com o carinho do seu beijo de bom dia. Eu coava café.

Falamos rapidamente sobre o choro de joelhos, midiático, do cretino vendedor e garotinho propaganda de coisas na mídia (que de -inho, de garoto ou de menino já não deveria ter mais nada, aos 26 anos de idade). Falamos também sobre o acidente de moto que um tio querido do meu genro sofreu ontem, com uma costela quebrada de uma fratura grave em um dos dedos da mão.

Começamos a falar sobre meu péssimo estado de espírito de hoje, diante, particularmente, do assassinato por mais uma bala perdida de uma criança inocente. Ela, com seu carinho e ternura de sempre, trata de me aconchegar em seu consolo de um colinho da esposa amorosa.

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Nossa conversa migrou também para as crianças aprisionadas pelos estadunidenses, separadas de seus pais imigrantes.Falamos sobre as 49 crianças brasileiras que estão entre tantas crianças maltratadas pelos ricaços do norte, centenas ou milhares, sei lá.

Neste mundo polarizado de hoje nos amarguramos, alguns de nós (pois mesmo entre nós há os que acham que tá tudo certo – a mesma turminha de sempre, “bandido bom é bandido morto“) pelas nossas 49 crianças, como se todas as demais também não fossem nossas. São todas crianças, são todas nossas.

E perdemos mais um jogo na Copa.

Por puro e feliz engano, meu amigo e guru de tantos anos me chama para conversar no Zap Zap. Como sempre falamos muito em pouco tempo. Como sempre, ele, em sua sabedoria, nos enriquece tanto em tão poucas palavras. Entre tantos assuntos de hoje, falamos um pouco sobre os imigrantes mundo afora. Falamos sobre o que acontece na Europa, falamos sobre as 49 crianças brasileiras, falamos sobre o tema imigração. Subitamente este amigão e guru, Eden, solta uma de suas sábias frases tantas: “por que não damos uma chance aos nossos ‘imigrantes internos’ que não são poucos e se encontram em toda parte”?

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E perdemos mais um jogo na Copa.

Amargura, dor, tristeza, perplexidade, revolta, ira, piedade, compaixão, amor, solidariedade, desilusão, desesperança, desespero, depressão, mágoa, raiva, impotência, ceticismo, perplexidade, perplexidade, perplexidade, perplexidade, perplexidade…

A confusão mundial é tão intensa que as esperanças pessoais, refiro-me especialmente às minhas, se esvaem cada dia com maior velocidade. Certa vez eu escrevi que eu não tinha mais qualquer expectativa em que a humanidade, como ‘homo sapiens’, conseguisse duplicar seu período de existência. Seríamos uma das espécies com maior capacidade de dominar e controlar, mas absolutamente incompetente em nos controlar. Vaidades, narcisismos, ganância e ambição desenfreada nos conduziriam para um beco sem saída.

Perdemos mais um jogo da Copa. Perdemos a copa. Não importa o resultado final de cada jogo. Perdemos a copa.

E assim, tá tudo certo. Brasileiros branquinhos, nossa podre elite branca, cercam mulheres e crianças na Rússia a dizer impropérios e cretinices do calão mais baixo imaginável. Nenhuma surpresa uma vez que esses mesmos branquinhos riquinhos Já mandaram uma senhora “tomar no c*” em um estádio de futebol no ano de 2014.

PERDEMOS MAIS UM JOGO NA COPA.

E cá estou eu a escrever, cá estou eu a imaginar uma possibilidade improvável já sonhada por Thomas More em sua “Utopia”. Cá estou eu sentindo-me um idiota.

Cá estou eu sentindo-me um idiota.

gustavohorta.wordpress.com

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