ELEGIA NO PUTEIRO, ODE NO PROSTÍBULO DAS ELITES PAULISTANAS. ÓDIO, HÁ PENAS, PATÍBULO.

17 abr

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Ahh! esses “homens de bem”…

Com suas caras estampadas
No alto do palco do prostíbulo,
Ao regozijo da platéia
Apreciando a nudez cruel
Da prostituta esganada
com suas partes expostas
E o cafetão a enforcá-la
E uma plateia aplaudindo, em frenético regozijo e orgasmos de tantos. O mesmo que é indo ao cinema
O mesmo que de frente à novela da noite
O mesmo que de frente ao telejornal sacana
O mesmo que de frente à criança que chora, mas desde que pobre seja, ou preta
O mesmo que de frente à nudez da obra de arte, rejeitada por pudico dever
Só que desta vez a aplaudir
Só que desta vez a  masturbar-se
Só que desta vez em um orgasmo febril

Gargalhadas histéricas, venera, venereo, ventre livre, venera, venta e manda ver, longe no lounge

Ah! “homens de bem”
Homens de bem que aplaudem a emboscada
Homens de bem que se regozijam na sacanagem
Homens de bem que do mal se aprazem
Homens de bem que vilipendiam sobre o cadáver de negro, de preto, de mestiço, caboclo, cafuzo ou mulato
Homens de bem que se regozijam da miséria do pobre
Homens de bem que tiram suas fortunas da miséria

Não há fortuna impune

Da miséria do pobre
Da miséria do preto
Da miséria do povo
Da miséria das putas
Da miséria da nação

Ah! “homens de bem”
Homens de bem que nutrem e são nutridos das mentiras espalhadas aqui e acolá
Homens de bem que nutrem e são nutridos da falta de piedade
Homens de bem implacáveis

Desamor

Compaixão ausente

Solidariedade sequer

Homens de bem nas orgias

Ah! “homens de bem”
Homens de bem nas surubas

Ah! “homens de bem”
Homens de bem a masturbar-se em orgasmos sucessivos sobre uma nação já tão esculachada
Homens de bem a masturbar-se em orgasmos sucessivos sobre uma nação já tão esculhambada
Homens de bem a masturbar-se em orgasmos sucessivos sobre a nação já tão escrachada

Ah! “homens de bem”
Homens de bem a reverenciar as imagens postadas no alto do palco do prostíbulo
Já houve o Auto da Compadecida
uxHcyEK6lqYHoje há o Alto do palco do prostíbulo
Hoje há discurso aclamado sendo regurgitado em vômito nojento pela boca do cafetão
Cafetão que promete recompensa pela cabeça de outrem
Cafetão impune por cafetão que é
Cafetão impune por mandante de assassinato
Cafetão que comanda a festa para o prazer e regozijo dos homens de bem a masturbar-se em orgasmos sucessivos, bem na cara da nação.
Prostíbulo do “Império dos Sentidos”
República do império
Parlamento dos homens de bem
Pra lá minto aos homens de bem

Era uma vez uma nação que ensaiava sua felicidade
Era uma vez um povo que ensaiava alegria de comer
Era uma vez um povo
Era uma vez…
De quando em vez e de vez em quando
Dá pra dizer que o que se ouve nem sempre é o que se fala, o que se ouve é o que se sente.
Dá para dizer o que é que houve.
Era uma vez um esboço de felicidade

Era Uma Vez…

Ovo povo, povo nada que seja, que assim seja

Jogo de palavras, palavras jogadas, jogadas ao léu, etéreas, efêmeras, inúteis, do nada e pra nada. Para nada, pára nada. Párias paridos, párias partidos.

Para todos os séculos  e séculos

Amém.

gustavohorta.wordpress.com

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2 Respostas to “ELEGIA NO PUTEIRO, ODE NO PROSTÍBULO DAS ELITES PAULISTANAS. ÓDIO, HÁ PENAS, PATÍBULO.”

  1. rejane rivas 11 11-03:00 maio 11-03:00 2018 às 0:28 #

    Não tenho como tirar ou por alguma palavra neste belo texto do “homem de bem”…belo não porque a iniquidade aqui descrita, seja bela, mas por tudo dizer!

    Curtido por 1 pessoa

    • gustavo_horta 11 11-03:00 maio 11-03:00 2018 às 8:29 #

      A Polícia Militar acusada de matar Marielle tem que acabar
      > https://gustavohorta.wordpress.com/2018/05/11/a-policia-militar-acusada-de-matar-marielle-tem-que-acabar/

      POLÍCIA MILITAR: Mais um dos esqueletos que aquela repulsiva ditadura militar largou para nós dentro do armário. Mais uma ideia “brilhanteUlstra” daqueles que tanto massacraram e humilharam nossa nação a serviço dos estadunidenses.

      …Entre janeiro e março de 2017, 1.227 pessoas foram mortas pela PM do Estado Rio de Janeiro. Os dados disponíveis pela própria PM mostram que 581 dessas pessoas eram parda e 368 eram negras. Desses 1.227, metade tinha até 29 anos, e 108 pessoas 18 anos ou menos. Deste total de 1.227 mortes, 817 morreram em vias públicas, que pode significar em bom português, favela. A conclusão do estudo compilado pelo ISP (Instituto de Segurança Pública) e disponível através da Lei de de Acesso a Informação sancionado nos governos petistas, é de que a cada 10 pessoas mortas no RJ, 9 são negras ou pardas.Calma que piora.

      Entre 2015 e 2016, segundo dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número de negros mortos pela Polícia Militar no país é o triplo do número de brancos. Foram 3.240 pessoas negras mortas por policiais de folga…

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