Não somos assim…

9 maio

É uma festa quando se trata de complexo de inferioridade. A começar pelos ditos aculturados da classe média. E há esta insistência em querer nos convencer de que é assim que somos e por isto é esta a política que temos. É este o sistema que cultivamos, pois nós somos assim.

Nós não somos assim!

A mídia que representa e é abundantemente financiada pelas corporações poderosas e se locupletam entre estes poderosos tenta nos fazer crer que as mazelas de nosso país derivam do fato que todos sejamos oportunistas e desonestos. A desonestidade original Imagenossa começaria por furar filas, falsificar carteirinhas de estudante, roubar TV a cabo, comprar produtos falsificados e/ou produtos piratas, tentar ou mesmo subornar o guarda para não tomar a multa, colar na prova da escola, bater ponto pelo colega no trabalho, apresentar atestado médico falso, e por aí afora. Estas seriam algumas evidências de nossa desonestidade como e enquanto brasileiros.

Para começar a conversa, são coisas que ocorrem mundo afora. Minhas filhas foram fazer um curso nos EUA, há cerca de vinte anos atrás, e foi a primeira vez que elas tiveram contato com a falsificação de documentos de identidade (“fake”) para poderem entrar em uma boate no topo das extintas Tôrres Gêmeas do WTC. Lá também conheceram, em consequência, as carteirinhas falsas de estudante, pois o curso que elas faziam não lhes dava direito às mesmas. Mas estadunidenses se prontificaram a providenciá-las. As outras coisas, nos Estados Unidos da América, no Canadá, Alemanha, Áustria, Japão e extinta URSS, vi em toda parte.

De forma alguma são também peculiaridades de nosso povo. Ainda que sejam normais mundo afora, indistintamente, não significa que sejam corretas. Entretanto, diante do fato de que seja roubar, etc., coisas assim, ainda que desonestas, são “brincadeira de criança” se comparadas ao que de fato compromete nossa sociedade.

Pessoalmente nunca as fiz, nunca as pratiquei, mas minhas filhas já fizeram alguns, como já comentei anteriormente. A maioria de nós nunca fez. Querem a todo custo nos convencer de que somos corruptos e safados por natureza e isto não é verdade. A enorme maioria de nós, enorme, é de gente honesta, digna e ética – quando digo enorme quero dizer que dentre cento e noventa milhões de nós há algo como alguns poucos milhares de safados a nos contaminar e que precisam sim ser banidos de algum modo. Na França, optaram pela guilhotina em certa época. Na Rússia, a revolução comunista. Na China, a revolução Cultural… Nestes casos o banimento foi mesmo feroz.

Querem a todo custo nos convencer de que somos corruptos e safados por natureza e isto não é verdade. Querem a todo custo nos convencer que os políticos e a política nacional é o que é porque nós somos assim. Não é verdade!

Cuidado, pois eu não tenho nenhuma vergonha de ser brasileiro! Nenhuma mesmo! Ao contrário, sinto prazer, sinto orgulho.

Este é um país que, apesar de tantas evidências em contrário, eu ainda insisto em considerar como o meu país. Ainda que eu ache que esta história de fronteiras seja uma bobagem. Mas este é o povo ao qual eu pertenço e me orgulho deste meu povo.

Somos diariamente iludidos, enganados, roubados. Contam-nos mentiras, usam e abusam de sofismas para nos idiotizar. E tantas vezes logram sucesso!

Tenho vergonha de nossos governantes, de nossos políticos, de nossa mídia vendida, mas não tenho nenhuma vergonha de ser brasileiro. Ao contrário, amo ser brasileiro.

Humanos, apenas humanos, isto sim.

E certamente não será um sistema que convive tranquilamente com o envenenamento diário de leite, chegando dia desses aí à identificação de algo como cem milhões de litros fraudados com soda cáustica no sul do país, por exemplo, que promoverá alguma mudança. Ao contrário, sistemas assim podem nos envergonhar, mas, pior, podem nos viciar. E até parece que o assunto somente ocorra lá no sul do país!

Pedimos punições apropriadas e alguns chegam ao linchamento, como idiotas estimulados por um bando de espertalhões oportunistas de terno e gravata ou de vestidinhos de Barbie que, estes sim, deveriam ser banidos do sistema e, desde logo, do país, da sociedade.

Quanto aos delitos pelos quais iniciei, repito, pessoalmente nunca fiz e não acredito que seja aí que nasçam os problemas. Nossos problemas podem estar associados à convicção cada vez mais crescente de que o possuir é o mais importante, é o que interessa. Como tanto já se disse, mas que poucos e fato escutaram, ter contra o ser. A importação em pleno vigor e a todo vapor pelos povos, em especial o nosso, do insustentável, do ponto de vista de perenização de nossa espécie, do jeito estadunidense de ser. Este sim, através do uso inescrupuloso do capitalismo, está a extinguir a espécie humana, varrendo-a do planeta. Quem viver verá. Quem entender perceberá o domínio das corporações sem alma ou com a alma do capeta anos controlar e a controlar as nossas vidas. Demo-cracias.

Não se iludam. Não sejam iludidos. Não iludam. Não ajudem a iludir. Não se acumpliciem aos canalhas oportunistas. Cuidado.

E, acreditem, não acredito mais que sejamos todos (apenas) babacas…

Claro como água de pote.

NO BRASIL SOMOS TODOS IDIOTAS IDIOTIZADOS.

A começar por mim.

3 Respostas para “Não somos assim…”

  1. Edson 12 12-03:00 maio 12-03:00 2014 às 11:16 #

    Gustavo
    como se diz na giria futebolística, esse foi texto foi “bem colocado”

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    • gustavo_horta 12 12-03:00 maio 12-03:00 2014 às 11:21 #

      Grande Edson.
      Agradeço sua visita e seu comentário.
      O que poderíamos fazer para mitigar este complexo de inferioridade de nosso povo?
      Abraço e felicidade. Sempre.
      Gustavo Horta

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Trackbacks/Pingbacks

  1. ASIM É. PAÍS SEM PUDOR! E HÁ QUEM MULTIPLIQUE COISAS IDIOTAS ASSIM… | Gustavo Horta - 12 12-03:00 fevereiro 12-03:00 2017

    […] “Não somos assim…“ […]

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