Claro como água de pote

2 abr

Os espertalhões e canalhas transformam em risadas as tantas sacanagens. Este processo ou procedimento já dura há algum tempo.

Havia um cara gordo que fazia chacotas semanais com os fatos ocorridos entre a canalha corrupta e impiedosa que imperava – é, imperava mesmo – no país tropical abaixo do equador.

Junto com este gordo, e em paralelo, havia um humorista real, de uma corte real, que igualmente somava seus esforços tripudiando sobre as frequentes sacanagens, de toda a espécie, sortidas mesmo. Estas sacanagens iam desde roubos e furtos (nunca sei ou entendo a diferença), até a depredação (sempre achei que deveria ser “depedração”) do patrimônio público pertencente àquela nação, entre negócios obscuros e às escondidas, perpetrados, tantas vezes, em viagens à Europa nos assim chamados “tour” dos vilipêndios das negociatas (“menosprezo, achincalhe, desrespeito para com alguém…”).

Depois desta turma, que sobrevivia, sabe-se lá como, sob um regime de terror, reconhecidamente duro e implacável com seus opositores, outros vieram. E têm sido tantos desde então. E a nação continua a rir de sua própria desgraça. Desgraça seria, por curioso, a falta ou eliminação da graça. O desgraçado, não abençoado, abandonado. Então, como rir? Rir da desgraça. Da própria desgraça. Curioso, né?

Aquele país e aquela nação já se acostumaram a rir e debochar de seus asseclas ou sobre o achincalhe que seus governantes fazem deles e com eles. A nação ri, às gargalhadas. Ri de si mesma. Às gargalhadas, em muitas tantas piadas e charges mil.

Dizem os estudiosos da mente humana que o riso em geral é de si mesmo, ao ver-se diante da situação tantas vezes constrangedora, embaraçosa. Aí, o cidadão ri de si mesmo. Cria-se uma enorme confusão entre as identidades dos palhaços e da coxinha Traidores da Patria 319audiência. Quem é quem, quem seria quem, já que palhaço é quem faz palhaçada e, em geral, provoca as risadas nas plateias. Quem seriam os palhaços e quem seria a plateia?

Atualmente, dizem, há neste país uma série de atrações na mídia que mostram a incompetência ou, por outro lado, a esperteza de seus governantes, uma turba canalha recalcitrante. De qualquer modo, fazendo com que a nação perca definitivamente a crença ou esperança de que entre seus governantes possa alguém surgir como um ‘salvador da pátria’. E alguns sonham, almejam o próprio golpe contra si mesmo. Nação com vontades suicidas, por incrível que possa parecer, desconhecendo as origens de tamanha devassidão.

Entre estes tantos, há alguns que continuam a promover as risadas entre os habitantes locais. Riam, riam muito. Deve ser mesmo para rir, senão não fosse para chorar.

Dante não faria melhor ao descrever o inferno.

A identificação do capeta é óbvia e, nos dias de hoje, continua a ser dissimulada pelas mídias diversas, comprometidas e com as almas vendidas ao demônio, associando este demônio que atua nas almas de todos às políticas e ações do capital que tudo justifica e tudo permite. O diabo permite tudo e não se arrepende jamais, como já tive oportunidade de dizer.

Antigamente, Satanás estimulava, ou fazia surgir, entre os viventes o medo, o temor. Atualmente, este demo implantou-se entre os viventes como as demo-cracias, defendidas vigorosamente pelos idiotas ou idiotizados, pouco esclarecimento, pouca vontade ou motivação para pensar; pensar dói. Ainda há milhões que acreditam estarem vivendo em regimes cujo poder emana do povo, as democracias, e desconhecem que, na verdade, o poder vem sendo emanado pelo capeta, em Demo-cracias, Corporocracias.

Mas podem continuar a rir, podem continuar a se rebelarem contra os menores de idade, pela redução da maioridade penal, podem continuar a discutir as causas dos estupros e crimes contra a mulher, podem continuar distraídos enquanto alguns surrupiam seu patrimônio, alienam suas vidas e se apropriam de suas almas. E nem é mais um pouquinho a cada dia, nem é mais aos poucos, discretamente. O achaque já é feito em grandes porções, em grandes proporções, em grandes nacos, extraordinariamente grandes. Desproporcional. Impunidade.

Há os que fazem com que a nação se distraia rindo, há os que a destroem aos prantos em intermináveis novelas, há os que a distraem com factoides, alguns verdadeiros, alguns falsos. É o “marketing” que encontra seus caminhos não somente para atender às demandas, mas também para criá-las e desviar as atenções. Na nação que habita aquele país há ainda os que acreditam poderem ficar ricos com jogos de azar, alguns clandestinos e outros patrocinados pelo capital que os dirige e governa – ou desgoverna –, em cassinos localizados em cada esquina, legalizados ou não.

Todos sabem onde tudo acontece, mas somente as multas de trânsito tem eficácia comprovada. Em algumas horas recebem-se em casa as multas, com fotos e todos os detalhes para a comprovação. Inacreditável competência. É assim com todos os repressores e ações ostensivas de repressão (poderia parecer contraditório, mas é deliberado) e acomodação da sociedade formada pelos nativos. O tráfico de drogas somente pune os pobres e/ou pretos, a prostituição controlada é somente a do dito ‘baixo’ meretrício, a jogatina combatida somente nas épocas mais convenientes como nas festas de final de ano, bem como a comercialização livre, libertina, dos bens não duráveis contrabandeados com enorme facilidade e naturalidade.

Tudo é permitido abaixo do equador

Os helicópteros circulam abarrotados de pasta base, os jatinhos para lá e para cá transportam políticos corruptos – corrompidos e/ou corruptores -, as cuecas cheias de dólares estadunidenses, as contas nos paraísos fiscais patrocinados pelos grandes donos do capital internacional e a mídia a apresentar e discutir as coisas mais superficiais, efêmeras, inócuas, diante de tanta porcaria. Alguns provocam as risadas incontidas da população.

Rir, rir bastante. Rir das desgraças alheias. Rir de suas próprias desgraças. Rir até que o capeta os alcance com o seu tridente. Acredite ou não, ele os alcançará.

Claro como água de pote. Tantos idiotas, tantos idiotizados. Tantos espertos, tantos espertalhões, tantos canalhas. Continuem a rir, continuem a se distrair, a se destruir.

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