Um vagabundo, muito prazer

14 out

Uma mixaria, mas é minha. Igual disse o outro, “é velhinho, mas tá pago”.

E há outros, por exemplo, lavou tá novo!

Mas não é nada disso que eu quero falar. Amanhã, grande dia!

Amanhã, volto a ser cidadão. Vou ao banco buscar minha graninha. Enfim, a primeira graninha de vagabundo, como o FHC bem definiu os aposentados. Vagabundos. Cidadão? Cidadão que nada! Passo, como vagabundo que me tornei, a receber de volta o que por tantos anos paguei de forma compulsória. E os caras, cretinos que são, insistem em chamar de benefícios e eu, de beneficiário! Logo, vagabundo mesmo. Passo a receber os tais benefícios, apenas uma parcela do que “contribuí” (chega a ser ridículo chamar de contribuição algo que me foi tomado compulsoriamente). Os cretinos ainda inventaram um fator de redução de meus benefícios. Mas, foda-se.

ImagePois será amanhã. Amanhã me torno, legal e definitivamente, vagabundo. Coisa boa. Depois de tantos anos, depois de tanta espera, vagabundo.

Fico pensando na origem do que possa ser vagabundo. Vaga + bundo.

Vaga, vazia, sem nada. Espaço vazio destinado, por exemplo, ao estacionamento de veículos. Pode ser também associada às vagas marítimas. Grandes vagas, vagalhões. Há também as vagas nas repúblicas, nas escolas, nas pensões. Em geral, lugar onde não tem ninguém ou, como coração de mãe, lugar onde se cabe mais um, onde há espaço para mais alguém. No caso do coração, sempre cabe, mesmo sem vagas.

Coração vago, coração vazio, sem amor. Alma vazia seria uma alma vaga, ou uma alma que vaga, desnorteada, sem destino, sem eira nem beira. Alma que vaga, alma penada. Alma que dá pena.

Assim pode ser a vaga.

Mas, e bundo, o que seria o bundo? A bunda se sabe com facilidade, pois todo mundo tem. Diferente de dinheiro, liberdade, saber, cultura e educação, bunda todos têm. Mas, e bundo? O que seria bundo?

Ahh, há os bundos, povo africano, povo negro de Angola. É a linguagem do povo bundo, linguagem relativa ao bundo. Pode também referir-se à linguagem incorreta, segundo o Aurélio; preconceito meio racista, ou muito racista.

Outro significado não haveria, pois o masculino de bunda não há. Bunda é sempre feminino, ou feminina, já que as femininas são o fetiche dos brasileiros, especialmente meu. Nada como olhar, apreciar, uma bela bunda. Mas, de novo, não é este o assunto. Não é sobre isto que eu quero falar. Pelo menos agora, posto que fosse um tema muito interessante para outra ocasião. Preciso lembrar-me disso.

Quero mesmo entender o significado original de vagabundo, uma vez que agora sou um desses aí. Seria, assim, um espaço vazio a ser ocupado por alguém de Angola, algum bundo? Ou seria uma onda forte do mar de Angola? Uma vaga em Angola? Um vagalhão africano.

Vai saber.

Só sei que agora é assim. Amanhã me torno definitivamente um vagabundo. E estou achando ótimo! V.a.g.a.b.u.n.d.o. Ótimo, sensacional.

Recebam as bênçãos. Apenas as recebam e saibam agradecer.

Abraço e felicidade. Sempre.

2 Respostas para “Um vagabundo, muito prazer”

  1. Emanoel Ribeiro de Almeida 14 14-03:00 outubro 14-03:00 2013 às 19:33 #

    O FHC, melhor dizendo BHC, é isso aí, filho bastardo, zé bonitinho, academia de letras imundas, por aí afora.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Inseticida

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    • gustavo_horta 14 14-03:00 outubro 14-03:00 2013 às 21:05 #

      Grande Emanoel, a minha vantagem agora é que, pelo menos por algum tempo, eles terão que me engolir como mais um vagabundo nesta “horda” de brasileiros! Vagabundos!!hehe
      Receba as bençãos. Apenas as receba e saiba agradecer.
      Abraço e felicidade. Sempre.
      Gustavo Horta

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